sábado, 8 de dezembro de 2012

End of Watch


Acção com conteúdo.

End of Watch é a história de uma dupla de polícias que se dá como dois irmãos, pouco ortodoxa mas tão activa e efectiva quanto possível, num dos bairros mais perigosos de Los Angeles. A trama é quase tão simples quanto isto, é correr com eles num meio já pernicioso por natureza, atrás do risco em cada esquina. De facto, não se investiu na elaboração da história a esse nível. O filme é, pelo contrário, muito forte a nível humano. Aliás, é pouco comum ver algo no género que valorize menos a conspiração e mais o carácter da história e dos personagens, mas é justamente isso que acontece em End of Watch. É, acima da acção e do crime, um tratado de camaradagem e de fraternidade entre irmãos de armas, um filme sobre relações, sobre família e sobre devoção à profissão, escrito sem lirismos, mas de uma forma particularmente sentida.

A química entre Gyllenhaal e Peña também é absolutamente notável. Era isso que o papel lhes exigia, mas conseguem ambos construir qualquer coisa a mais, numa fusão francamente genuína. Michael Peña cumpre bem, num registo mais sóbrio de irmão mais velho, mas é Jake Gyllenhaal quem se destaca. Há muito tempo que o californiano, ainda com 32 anos, anda a acumular performances acima da média (foi nomeado ao Óscar em 2005, por Brokeback Mountain) e, para mim, está hoje entre os 20 nomes com mais potencial do mercado. Em End of Watch dá nova prova da capacidade interpretativa, do carisma e da tremenda facilidade que tem para deixar marca nas cenas, pelo que um papel maior, ao nível do que é capaz de fazer, não deve demorar muito mais tempo a chegar. Com Up in the Air e 50/50, Anna Kendrick também tem sido das actrizes que mais apreciei nos últimos anos. É pena que, mesmo não passando despercebida, porque tem sempre um jeito especial, lhe tenham pedido um papel quase só decorativo.

David Ayer, homem que, ao longo da última década, assinou uma série impressionante de blockbusters de crime (Fast and Furious e Training Day à cabeça, mas ainda U-571, SWAT ou Street Kings), realizou e escreveu, o que não fazia há 4 e 7 anos, respectivamente. Se as suas experiências de juventude no Sul de Los Angeles, que inspiraram muitos dos seus filmes, asseguraram mais um argumento de muito bom nível, a realização tem mais que se lhe diga. Ayer filmou quase tudo de câmara na mão, com tanto ruído visual quanto possível. Se no último terço do filme isso recompensa, porque exponencia a pulsação do desfecho, no resto acaba por revelar-se uma ideia exagerada e cansativa para quem está a ver.

End of Watch não é um thriller criminal extraordinário, mas o que oferece a nível pessoal e dramático, aliado à qualidade das interpretações, coloca-o num patamar de distinção.

7.5/10

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