segunda-feira, 5 de abril de 2010

O único breathtaking de 2009


Pondo-o duma maneira simples, é o seguinte: Brothers é um dos melhores filmes de 2009, de longe melhor do que metade dos oscarizáveis deste ano. Acho que passou mais ou menos despercebido a muita gente, e, quando o apanhei perdido numa lista do imdb, olhei para o elenco e estranhei mesmo não ter ouvido falar dele. Ia à espera duma coisa decente, pese o cliché à Pearl Harbor (irmão morre, outro irmão preenche a família), mas, obviamente, nada deste nível. Brothers é um filme extraordinário, sufocante e visceralmente tenso, que tem aquela capacidade tão comum aos grandes filmes de pegar numa estória que toda a gente já viu, e pô-la de pernas para o ar, partindo a loiça toda. Brothers não é um filme poético, nem nunca procura ser bonito, ou condescendente, tendo, aliás, como um dos seus trunfos, o prolongar duma violência psicológica atroz, e tudo isto no cenário da família do soldado americano normal, que foi para a guerra. É um filme poderosíssimo, que explora o lado negro da guerra, como muitos outros, sim, mas na recriação, não do detalhe do combate, mas da incrível dureza mental que o constitui.

De resto, funciona quase tudo. A realização de Jim Sheridan, um velho caminhante que, entre Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento, já foi 6 vezes nomeado pela Academia!, é muito boa, sempre a evitar o óbvio, sempre sedenta e arrasadora nos momentos de tensão, e, individualmente, aquilo é todo um manual. Jake Gyllenhaal não tem um papel difícil, mas cumpre-o com uma envolvência muito interessante, e Natalie Portman prova porque é uma das grandes da actualidade (e, desde há uns anos, a minha actriz preferida), com uma delicadeza, um jeito e uma beleza desconcertantes (tenho, para mim, que será das poucas mulheres de Hollywood genuínamente bonitas no mundo a sério). Percebemos o seu talento, quando nos custa a crer que o que ela faz, afinal, não é a sério. Ainda assim, os louros vão, sobretudo, para o desempenho estratosférico de Tobey Maguire, por quem eu, sinceramente, nunca dei um chavo, e que faz, aqui, certamente, o melhor papel da carreira. Diria, e gostei bastante do Clooney, do Renner e do Bridges, que ele mete num chinelo qualquer um dos nomeados deste ano. Juro que não percebo como é que a Academia se esqueceu disto.


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