segunda-feira, 27 de abril de 2009

Magic Ryan


Nunca foi MVP da FIFA, nem nunca foi Bola de Ouro. Nunca protagonizou nenhuma transferência milionária, nem nunca esteve sequer numa fase final do que quer que fosse com a sua selecção. E sempre passou ao lado dos grandes prémios individuais. No entanto, para os adeptos do maior clube do Mundo, é quase um deus. 19 anos de Manchester, 800 jogos. Uma vida. Se quisermos perceber o que é o United realmente, vale a pena olhar para Giggs. O génio e a mística, tudo num só. Um futebolista doutro tempo. Correndo o risco de cair na poesia, é por isso que Giggs é tão especial. Por ser quase uma impossibilidade, um capricho do destino, na era dos galácticos, na era em que já não é suposto haver jogadores como ele. Porque já não é suposto que alguém tão bom jogue tanto durante tanto tempo. E sempre no mesmo lugar. É por isso que Giggs representa tão bem o United. É por jogadores como ele que o clube se fez tão grande. Por aquela dedicação, aquela paixão, aquele respeito. E por toda aquela qualidade. Como todos os que não se sabem ou não se querem vender, nunca foi favorito a ganhar nada. Anos e anos, em Inglaterra e na Europa, ao mais alto nível, e sempre a passar ao lado. Até que, no limite da sua vida futebolística, do alto dos seus fantásticos 35 anos, foi eleito como o melhor jogador da Premier League.

Para mim, não é nenhum prémio de consolação. Porque me recuso a aceitar que alguém que já fez tanto precise disso. Porque, para mim, ganhou este ano, como podia ter ganho noutro ano qualquer. E porque não, este não foi o seu ano de despedida. É que desconfio que, no campo como na essência, Magic Ryan é eterno.

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